VEJA COMO ELES CORREM (2022)




 

 

Veja como eles correm (2022)

 

 

O diretor Tom George, vindo de um sucesso aclamado na TV britânica, (This Country 2017) com três temporadas e conquistando vários prêmios, encara sua primeira obra no cinema. Em entrevista ao site Collider, o diretor contou como foi fazer seu primeiro filme e sobre a mudança no roteiro e a montagem do elenco após o teste de exibição. Fato que, na entrevista, Tom revelou que nunca fora fã do gênero mistério policial, e que não imaginaria fazer algo assim em sua estreia no cinema. O que realmente o fez convencer fora o roteiro de Mark Chappell, acreditando que seria uma ótima ideia além de um desafio.

 

A trama acontece numa longínqua Londres no início da década de cinquenta em torno da peça mais famosa de Agatha Christie, A Ratoeira (1947), onde o assassinato de um diretor, interfere nos planos de transformar a famosa peça em filme. O filme faz bom uso e abuso com o ensaio de Agatha Christie, onde podemos ver, um elenco de peso, satirizando, desprovido de qualquer seriedade (no bom sentido), ao decorrer da trama. O sarcasmo dos protagonistas Constable Stalker (Saoirse Ronan) e Inspector Stoppard (Sam Rockwell) pouco interfere em um balanceado misto de emoções, ora entediante, ora empolgante. Nisso temos que dar todo o crédito a Adrien Brody, com seu personagem, o espirituoso e lascivo Leo Köpernick, como interlocutor que carrega o filme nas costas por muito tempo (Primeiro ato)

 

O diretor parece ter se inspirado tecnicamente na obra de Baz Luhrmann, Elvis (2022), mostrando-se evidente na ambientação, iluminação com cores vibrantes em meio a um contraste saturado junto a frenéticos jogos de câmeras e até mesmo na narração inicial. Tudo isso soaria genial se fossem apenas meras influências, porém as semelhanças são extravagantes. É notável o quanto essas artimanhas e inspirações, permitiram uma alta qualidade visual, porém nada original. Se dividirmos o filme em partes, é possível identificar no primeiro ato as semelhanças citadas acima.

 

Nota-se também, um contraste de emoções, no qual, a diversão e o tédio flertam ao longo da obra. O que temos é um filme que brinca com o próprio roteiro, satirizando e “entregando” o plot a todo momento de maneira velada. As ironias e sarcasmos em cima do ensaio de Agatha, parece não ter funcionado da maneira como se devia. O tratamento cômico sobre uma peça de mistério, soou trágico, numa releitura com atuações interessantes, ambientação fantástica, porém precária em seu roteiro.

 

 

Nota: 3,0 estrelas.

Destaque: Adrien Brody

 

 

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