ROBERT, O CAÇADOR - Capítulo 2 e 3

 







CAPÍTULO 2




Hora do jantar
Robert chegou do bar por volta da meia noite. Esfomeado. O leve teor alcoólico que corria em suas veias transmitiu a paz necessária para se conformar, fazendo-o acreditar que tudo aquilo era absolutamente normal. Desceu até seu freezer e o abriu. Lá estava Roxanne, roxa. Seu rosto ainda não estava desfigurado, achava bonito demais e queria deixa-lo ali, conservado, para ficar apreciando.
Com uma faca, cortou um grande pedaço de perto da barriga, retirando assim, o seu estômago. — Preciso limpar esse estômago. Está cheio de fezes... — murmurou para si mesmo. — Combina com feijão e pimenta. Passou a língua na saliva que estava escorrendo entre seus lábios. Pegou aquele pedaço grande e levou para a cozinha. Picou em pedaços médios. Colocou um azeite de boa qualidade e deixou marinando por algum tempo.
— Onde raios eu enfiei o pote de pimenta? — pensou em voz alta.
Acrescentou sal e umas especiarias que a faxineira do seu trabalho lhe dera. Coisa fina. Depois de marinado, colocou em uma panela média de ferro, com manteiga e apenas um fio de azeite para não queimar. Ele sabia como preparar um prato... Tinha o dom, pois assistia a todos os programas e assinava várias revistas de culinária. Era um expert em combinações.
Esquentou e começou a cozer. — Hummmmm! O cheiro está divino. — disse, levando a mão à boca e beijando o polegar unido com o indicador. — Pronto. Comida feita. Aprontou a mesa, abriu uma garrafa de Martini branco. Como convidando alguém para o jantar, um ser inexistente aos olhos, mas que vivia dentro dele, refugiado como um monstro ofereceu: — Servidos? Saciou-se com pedaços da jovem temperados com especiarias e um bom Martini.

CAPÍTULO 3


Terça feira. Dois dias antes...
— O senhor vai demorar em sair da minha frente? — disse o senhorzinho a Robert, que estava com o carrinho lotado de comida no corredor estreito do supermercado. — Me desculpe senhor. Pode passar. — assentiu Robert manobrando o carrinho para o canto e deixando-o passar. Robert olhava o preço dos temperos um a um na prateleira, quase em transe. Observava atentamente todos eles. Alguns, nunca tinha experimentado. Curioso sempre levava algo diferente.
A bela moça parou ao lado e começou a olhar os condimentos. Robert deu de ombros e não se interessou. Depois de alguns segundos de silêncio, a moça perguntou a ele sobre algum condimento. Ele não ouviu nada, só sentiu aquele hálito inocente e fresco saindo da boca da jovem. Ficou hipnotizado por alguns segundos, que em sua cabeça, pareceram horas e horas. Podia ficar ali o resto da vida sentindo aquele sopro saindo daquela boca inocente, com lindos dentes brancos e desajeitados. — Ahh! Esse é muito bom. Sempre uso em miúdos. — ironicamente, sabemos o tipo de miúdos a que se referia. . Ela sorriu, pegou o tempero e saiu. Com o movimento do corpo, exalou mais perfume para as narinas podres do homem sedento. .
Fazia tempo que Robert não sentia a sensação de caçar. Estava feliz com isso, acreditou que havia se “curado”, mas toda a saliva que escorreu mais uma vez de seus lábios, o fizeram ter a certeza de que isso não havia acontecido... Percebeu que tinha achado mais uma vítima. Como fazer? As outras vítimas eram pessoas novas, mas sempre pessoas miseráveis, com vidas conturbadas e bastava uma graninha para convencer garotas e garotos desse nível a entrarem em seu velho carro. Mas essa garota não parecia ter problemas em casa. Parecia que tinha sido criada com amor pelos seus pais. Parecia estudar em uma boa escola. Tinha uma pele bem cuidada com cremes caros e seu cabelo também. Mas Robert não desistiria. Adorava desafios. Perambulou mais um pouco dentro do mercado até conseguir avistá-la novamente. Estava sozinha.
Reparou na garota por cerca de 10 minutos, não a viu falando com ninguém. Imaginou que ninguém a conhecia por ali. — Ótimo... Ótimo! — falou em tom inaudível. Tudo estava conspirando a favor dele. “Tão fácil que nem dá para acreditar” — pensou, com um sorriso sarcástico em seu rosto. Depois de mais ou menos meia hora de observação, concluiu que de fato a garota estava sozinha e que ninguém ali a conhecia. Ela entrou na fila do caixa para pagar. Robert entrou atrás, mantendo a distância. Quatro pessoas estavam entre ele e o objeto de seu desejo. Ela pagou e saiu. Robert saiu da fila, deixou o carrinho de compras próximo ao corredor, pegou apenas um tempero, passou no caixa rápido e a seguiu.
Saiu apressado do supermercado, olhando de um lado para o outro, um estranhamento o tomou quando pensou que a tivesse perdido de vista. Mas logo a avistou. Estava indo em direção à saída de pedestres. Seu carro estava bem ao lado da saída. — Tudo conspirando a favor. — murmurou Robert com uma calma euforia. Olhou para o lado e percebeu um caminho mais rápido até seu carro, assim poderia chegar primeiro até a entrada, alcançando-a para uma abordagem. Conseguiu, enquanto Roxanne andava a passos calmos apreciando a noite estrelada e fria. Chegou ao carro, abriu a porta e sentou-se no banco do passageiro. Deixou cair o frasco de tempero no chão. Teve dificuldades para se abaixar para pegar. Roxanne se aproximou. — Ei garota, pode pegar o frasco de tempero que caiu para mim? Se eu me abaixar com esse peso, não levanto mais. — sorriu. Roxanne assentiu com a cabeça e com um sorriso inocente se abaixou para pegar. A pulsação de Robert acelerou, entrou em transe. Olhou para um lado; estava completamente vazio. Olhou para o outro; não havia ninguém. Do porta luvas aberto, ele tira uma haste de ferro pontiaguda e afiada, e enfia na nuca da bela Roxanne. Não houve tempo para um grito de socorro... Ela cai.
Robert a coloca no carro. Acomoda o corpo sentado no banco e passa o cinto de segurança. Dá a volta olhando para os lados. Não vê ninguém. Abre a porta do carro. Ignição. Carro ligado. Pega o boné velho sobre o painel e coloca na cabeça de seu prato principal. Sai devagar. Passa pela cancela e se livra dos possíveis problemas. Com um sorriso demoníaco no rosto, e com a cabeça levemente balançando em sentido positivo, assente. — Hoje teremos banquete de primeira.




CONTINUA...

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