INTRODUÇÃO
02h59min
O susto tomado pelo pesadelo que teve fez com que Robert pulasse da cama completamente agitado.
Agitado, assustado e completamente amedrontado pelo fato de que o pesadelo ainda estava fresco em sua memória. Fresco como frutos que acabaram de ser apanhados.
Robert se levantou, com sede. Foi até a cozinha que fica no próximo cômodo. Seus passos pesados, por suportarem cento e trinta quilos, com seus pés mal cuidados, sola dos pés calejadas, como as de trabalhadores usando sapatos rígidos e desconfortáveis... Pior cena possível.
Chegou à cozinha. Abriu a geladeira e pegou a garrafa pet de refrigerante barato cheia de água e mandou goela abaixo. Pausou. Pensou na noite passada e o que fizera. Sua satisfação teria sido alimentada por tal ato tenebroso: “estou faminto por vísceras humanas” — concluiu num piscar de olhos.
Precisava se alimentar de novo, mas de que?
Ainda havia restos de sua última vítima, Roxanne. Garota branca de 1,70, que abordara no estacionamento do mercado local. Seus restos estavam em um freezer na parte debaixo da casa, embalados em papel filme.
“Preciso cortar ela em partes, deixar as porções certas para cada refeição”. — pensou ele.
Fuçou na geladeira e achou um pedaço de linguiça velha e embolorada. Um pedaço generoso. Não hesitou a abocanhou com força, com os poucos dentes que ainda tinha, e voltou a dormir.
Pela manhã, acordou com a tevê ligada, e com o noticiário do sumiço de Roxanne. Estava virando um bafafá daqueles. Não hesitou em nenhum momento.
Sentiu-se o maior dos homens
Vangloriou-se para si mesmo.
— Seres inferiores e inúteis.
Vestiu-se e foi trabalhar.
Chegando ao serviço, Robert acenou para a secretária do escritório e lhe deu uma rosa que colheu no caminho do trabalho:
— Para você querida. Flores para uma flor.
A secretária olhou para aquele grande homem e agradeceu com um leve brilho no olhar. Pensou que podia ser esse o homem... Um dos poucos que ainda existiam.
Robert caminhou até sua mesa, cumprimentando todos de forma gentil e brincalhona. Sentou-se, ligou o computador velho e começou a fazer seus relatórios. Era um excelente profissional: gentil, carinhoso e de extrema inteligência. Sua mente se focava apenas no trabalho, sem muita conversinha aqui e acolá.
Hora do lanche e Robert vai até o refeitório para fazer sua refeição, quando ele vê passar o novo estagiário. Um rapaz jovem, branco, franzino e com aroma angelical, o que fascinava Robert.
Entrou em transe enquanto o jovem rapaz “desfilava” até seu lugar a mesa A saliva escorrendo na boca de Robert ficava à vista de todos. Estava realmente imaginando como seria o gosto daquela carne nova e “suculenta”
Murmurou para ele mesmo:
— Coração novo em folha, pulmões também. Deve ter um gosto divino.
Começou a pensar em como ia adquirir esse pedaço de comida nobre.
O noticiário passava na tevê do refeitório, e o homenzarrão, foi retirado de seus pensamentos:
“Até agora nenhum indício do paradeiro da garota Roxanne. Suspeitam que ela possa ter fugido com o namorado. Seus pais estão arrasados.”
Aliviou- se. Acomodou-se com a notícia e com os fatos abordando o sumiço da jovem. Estava livre e não era, nem de longe, o culpado.
Robert chegou a casa por volta das sete da noite. Resolveu ir ao bar do Joe, que era no mesmo quarteirão de seu apartamento. Estava frio. Robert não tinha muitos problemas com o tempo frio, pois sua camada de gordura o aquecia.
Após caminhar alguns metros chegou e foi bem recebido pelo dono e por amigos que lá frequentavam. Acenou para todos, contou uma piada aqui, outra lá. Sentou-se e pediu um casal: cerveja com uísque barato.
Bebericou ali, vendo a tevê, onde passavam os resultados das apostas de corridas de cachorros e cavalos. Ele não tinha interesse nisso.
— Robert? Lembra-se da garota bonita que estava aqui na terça? — disse Joe
— Não lembro não. — respondeu com aquele jeito mesquinho.
— Pois é! É a moça que desapareceu. Droga! Chegou uma carta para eu ir depor. Não faço ideia de onde pode ter ido parar essa garota... Agora todo mundo que some é culpa minha? — falou Joe, com um ar indignado.
Robert olhou para Joe e disse
— O que será que eles querem? Eles estão perdidinhos nesse caso, né? Vi a respeito no noticiário. Nem sabem onde procurar.
— Esse é o problema Robert. Quando eles não sabem o que fazer, interrogam todo mundo. Qualquer um é suspeito.
Robert assentiu com a cabeça. Despreocupado. Pensando que seu lanche da noite iria ser um pedaço puro daquela donzela que estava no freezer.
CAPÍTULO 1
O nível de psicopatia que cada um tem dentro de si, pode ser a chave para sucessos e fracassos na vida de um homem, ou mulher. Pode tanto lhe fazer bem quanto mal. É uma faca de dois gumes. Pode arruinar-te ou arquitetar sucessos. Segundo pesquisas, três em cada dez pessoas são psicopatas. Número muito alto. Mas isso nos revela algo interessante, pois se os dados forem reais, tem muito psicopata por aí fazendo coisas boas. Talvez uma pessoa com o objetivo de conseguir alcançar o sucesso profissional a todo custo, também se encaixe em algum nível de psicopatia... . “Faca de dois gumes”.
Quanto a Robert, um homem normal, descendente de italianos, que lembrava aqueles personagens de filmes ítalos- americanos, com trabalhadores rudes e acima do peso, quase sempre mal-humorados com tudo.
Tirando seu humor, era idêntico. Aparentemente rude, mas quando abria a boca, era um ser culto. Gostava de poesias e literatura abstrata. Amava a arte e sempre que dava, ia a museus e ficava horas lá, apreciando pinturas de grandes artistas.
Mas Robert escondia em si um feroz caçador e um insaciável consumidor de carne humana. Chegava a trepidar de tanta vontade que sentia. Gostava de novos. Homens e mulheres. Independentemente de cor ou qualquer outra etnia. Tinham que ser novos, menos de vinte e um anos, para ser exato.
Já tinha uma lista considerável de vítimas. Admirava-se no espelho, passando horas se olhando e se achando o melhor entre os homens. Ninguém nunca desconfiara de absolutamente nada.Mas algo lhe perturbava. Aquele garoto com cheiro angelical... Robert não conseguia desafixar sua mente dele. A sua sede de caçar aumentara nos últimos tempos. Antes fazia uma, talvez duas vítimas no ano. Agora, em menos de duas semanas já estava irrequieto com aquela surpresa.
— Vai ser a minha próxima vítima. — murmurou para si mesmo.
CONTINUA...
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Parabéns meu brother
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