Se escondendo como um amaldiçoado
Havia três semanas que Robert cruzara com a jovem garota de estilo gótico na rua.
Nunca mais a viu. Seu pensamento pelo pior vinha à tona várias vezes ao longo dos dias horríveis que vinha passando.
Desde este fato, não desceu mais até o freezer para tirar uma casquinha do cadáver de Roxanne. Estava acuado. Com medo. A pergunta que não queria calar era:
— Como diabos ela sabe?
“Vai ver não sabe de nada, vai ver sabe. Não sabe. Ah, deve saber sim.”
O fato é que se foi uma brincadeira de mau gosto, fez com a pessoa errada. Pois a pessoa atingida deve. E deve muito.
No trabalho Robert estava inquieto. Não conseguia se concentrar em nada, nem nos relatórios que tinha que mandar. Em nada!
Seu patrão chamou a atenção dele por algumas vezes.
Até que sugeriu para ele tirar as férias atrasadas. Achava que era algo relacionado ao stress, ou coisa do tipo.
— Não quero tirar férias. — disse Robert.
— É preciso. Você não aparenta estar bem, isso se chama stress. Depois de muito tempo ele acaba nos pegando Robert. Va para casa e aproveite. Vá ao parque, saia à noite e volte tarde. — disse o chefe.
Robert assentiu, pegou suas coisas e fez o que o chefe sugeriu.
No caminho de volta para a casa, estava preocupado. Aquilo martelava sua cabeça. Não se conformava.
Estava com medo de ir ao bar do Joe bebericar. Com receio de mais alguém saber.
Caminhou até sua casa. Na porta de entrada Robert avistou um bilhete.
“De sua admiradora já não tão secreta assim.
Ps.
Meg”.
Capítulo. 7
333-8103
— Admiradora secreta? — pasmou-se.
Não fazia sentido. Um homem de meia idade, acima do peso e malcuidado com uma admiradora secreta? Imaginou que podia ser a senhora da rua de trás, que às vezes dava em cima dele.
— Não. Ela se chama Clarice. — indagou
Não conseguia imaginar quem seria. Pensou: “mais um problema, mais um peso em minha mente ansiosa”. Sentou-se no sofá surrado, com uma colcha gasta, cor de laranja e ficou por alguns minutos, imóvel. .
“Mais remédios. Preciso de mais remédios para curar essa ansiedade”.
Agora sua mente estava confusa, nem o jovem rapaz do trabalho interessava mais. Nem a jovem gótica também.
— Espere um pouco! — falou sozinho.
— A jovem gótica que me falou aquilo! Simmm! É ela.
“Mas que diabos uma jovem quer com um velho? Tara? Algum fetiche?”
Lembrou-se de um amigo que tinha fetiche por mulheres peludas, foi quando ele o questionou a respeito do estranho fetiche. Seu amigo respondeu:
— Fetiches são estranhos. Fora da ordem natural de qualquer coisa imposta por uma sociedade, sendo ela hipócrita ou não.
Parou de novo um instante e tentou resgatar de sua mente ferrada a última vez que tivera com alguma garota. Última vez que tinha feito sexo em sua vida. Com suas vítimas nunca fizera, não tinha essa necessidade psicopática. Era só o estrangulamento e depois saciar a fome com rins, pulmões e carne humana.
Lembrou-se de que há muito tempo atrás tivera relações com um casal grã-fino da alta sociedade. Onde praticou o ato homo afetivo com o homem.
“Foi à última vez, com certeza.” — pensou.
Tentou lembrar-se de como era a garota. Não se lembrava. Apenas que era branca, aparentemente bonita e com piercings. Esforçou-se mais uma vez para ver se se lembrava do corpo. Não conseguia. Não tinha focado as vistas, na verdade tinha, mas depois do que ela disse, a feição se apagou de sua mente.
Fuçou no bolso e pegou o bilhete da tal admiradora. Era um papel couche, mesma textura dos papeis cartão. Olhou, não ia conseguir nada com aquilo, apenas esperar o próximo passo de sua admiradora.
Colocou o cartão entre os dedos e começou a bater em suas coxas levemente e rapidamente.
Olhou o papel de novo. Não prestara atenção na parte de trás. Virou o bilhete e lá estava um número, possivelmente de um telefone.
333-8103.
Bingo!
— O que faço? Ligo e espero diversão? Ou esqueço? — questionou-se.
— Se essa Meg for a gótica, posso desvendar se ela realmente sabe algo a meu respeito. — concluiu. `— Vou ligar!
Foi até seu quarto, pegou o telefone e ligou.
Triiiiiiimmmmm, Triiiiimmmm.
— Alô! — disse uma voz suave
— Que- quem fa... De onde fala?
— Meg. Estava esperando sua ligação.
CONTINUA

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