ROBERT, O CA;CADOR- Capítulo 8


 

Saindo da rotina.

A conversa com Meg havia sido estranha. Não fazia sentido uma garota se interessar por um homem de meia idade que pesa quase três vezes mais do que ela.

Eles conversaram pelo telefone por mais ou menos 5 minutos. Marcaram um encontro. Próxima sexta, onze da noite na esquina do bar do Joe.

Robert imaginou mil coisas.

— Será que ela também é uma canibal? Será que eu virei uma presa para uma faminta garota? — questionou-se.

“Ela não conseguiria me atacar.” — pensou, lembrando-se de que, seu tamanho era bem inferior ao dele.

Faltavam ainda dois dias para o tal encontro. Robert seguiu angustiado. Estava de férias e não tinha muita coisa para fazer. Resolveu perambular por aí. Vigiar. Analisar pessoas e seus modos de vida estava no sangue fazer estas análises.

Saiu pelas ruas frias da cidade, andando nas calçadas imundas com latões de lixo transbordando. Passou em frente um pet shop. Viu uma senhora se abaixando com dificuldade para pegar uma caixa de ração. Parou por um instante e analisou.

— Comida ruim. Duro e nojento. — falou para si mesmo.

Continuou a caminhar.

Passou em frente ao bar do Joe. Fechado.

Imaginou quantas vítimas fizera por propósitos perdidos naquele estabelecimento. Robert estava deprimido e pensativo.

Chegou a se autoanalisar pensando que, já que ainda não o pegaram por suas atrocidades, talvez fosse hora de parar. Fantasiou para si mesmo, talvez com a leve esperança de a jovem gótica proporcionar a ele uma vida melhor.

A jovem deu a entender, pelo telefone, que estava interessada em Robert. Deixou a entender que tinha uma queda por homens gordos e mais velhos.

— Ela não sabe que sou um grande homem, mais velho e caçador de corpos. — ironicamente murmurou para si próprio.

“Talvez compre um perfume, faça a barba, corte o cabelo. Acho que vale a pena.” — pensou, esquecendo-se completamente de quem era de verdade.

Nada de interessante aconteceu aquele dia.


Sexta feira.

Robert acordou de manhã, tomou sua porcentagem de fluoxetina, para não morrer de ansiedade. E esperou.

O que Robert não tinha notado era que ele não estava a fim de fazer essa jovem como presa. Estava querendo era conhecê-la, como um garoto em seu primeiro encontro.

Momento de fraqueza? indagou.

Podia estar sendo flexível, ou seja, podia estar deixando seu metodismo psicopático de lado. Talvez esses desejos canibais pudessem sumir. Tinha lido há algum tempo, num desses livros que psicólogos escrevem para faturar alto, que um psicopata, às vezes vive uma vida inteira sem descobrir esse distúrbio dentro de si. Outros apenas têm picos de agitação e uma vontade de praticar atos psicóticos que nem sempre vem à tona. Robert forçava-se em acreditar que um dia isso ia sumir dele.

“Talvez sim”... — pensou com a mão no queixo enquanto se servia de uma xícara grande do café que acabara de passar.

Voltou para a cama e dormiu. O remédio fizera efeito. Esqueceu-se de rezar, como sempre fazia. Mas pouco importava agora, pois sua rotina havia sido quebrada, estava vivendo numa atmosfera totalmente nova, uma que nunca vivera.

22h03min

Robert acordou depois que o despertador tocou pela terceira vez.

Estalou os olhos e pensou: “Vamos lá.” Tomou um banho, se trocou e zarpou para o local combinado com Meg.

Planejou chegar antes para observar o local, e ver de onde Meg surgiria. De qual rua ela viria. Estava com uma sensação magica, porem perturbadora, não sabia o que esperar. Ela podia ser uma caçadora também. Ou não. Talvez só quisesse realizar seus fetiches. Ou não. Vai saber... Teria de esperar para ver.

Ponto de encontro. Robert chega à esquina combinada. Encosta-se à parede do velho prédio.

22h53min.

 “Ainda está no horário” — pensou descartando a hipótese de um possível bolo.

23h00min.

Um ônibus passa pela rua em velocidade baixa, quase parando. Robert não se lembrava de que tinha um ponto de ônibus na esquina da frente. O ônibus não para. Mais dois carros antigos passam com jovens escutando músicas em um volume alto, Robert parou por um instante para prestar atenção.

O clima ficou tenso.

Olhou para o lado e viu uma mulher negra passando com seu filho, carregando uma sacola de papel com compras. Um cachorro latiu para a cadela do mendigo que estava no outro quarteirão, sentado na calcada com uma garrafa de bebida. Olhou para lá e para cá. Começou a sentir um pavor incomum. Isso não era bom. Começou a suar frio. Olhou de novo para todos. De repente, uma mão se apoia em seu ombro.

Robert congela.

Espera alguns segundos para se virar. Pensa no pior. Por fim, se vira.

Era Meg.

Com um sorriso amarelado e dentes simetricamente corretos, ela olha com um jeito tranquilo e acalma o coração de Robert.

 “De onde ela veio, não posso nem imaginar de onde surgiu” — pensou Robert.

— Olá Robert. Sou a Meg. Sua admiradora não tão secreta assim. — falou de um jeito atraente, como se estivesse pensando em coisas quentes.

Robert paralisou.

Ela puxou sua bolsa e tirou um maço de cigarros, com batidas leves, tirou um e ascendeu. Deu um trago e soprou a fumaça para cima.

Olhou para Robert, com um olhar estranho, seus olhos eram verdes.

Sorriu. Mas seu sorriso não era mais tão confortável com o primeiro que dera.

Olharam-se por alguns instantes. Robert pensou em dizer algo. Ficou quieto.

Pensou de novo, quando Meg falou:

— Me leve para sua casa. Preciso de um banho quente e o calor de um homem grande. Me leve para sua casa que já conheço, me dê um banho no banheiro que já sei exatamente como é. Aqueça-me como imaginei que seria aquecida.

Robert, sem palavras, gaguejou. Olhou. Parou. Sorriu.

— Vamos para casa. — disse ele.

CONTINUA.

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