ROBERT, O CAÇADOR- Capítulos 10 e 11


 

 

 

Sem aposentadoria por enquanto, ok?

Meg se despediu de Robert e prometeu voltar. Eles comeram todo o pedaço. Sem muitas conversas, só comeram e beberam.

Ela foi embora, apenas disse tchau. Disse que ligaria. Robert apenas concordou.

Já era quatro da manhã quando Meg deixou a casa. Robert sentou-se no sofá com muitas dúvidas. Não perguntara nada a Meg sobre aquele papo de saber tudo sobre ele. Ela não deu espaço para perguntas, ele apenas curtiu o momento.

Ele ainda estava sem acreditar no ocorrido. Sentia algo por Meg. Algo que nunca sentira. Não era aquela obsessão que tivera com suas vítimas.

Lembrou-se que havia pensado há um tempo em se aposentar das caças. Em viver uma vida decente e o quanto ainda era importante para ele se entender com Deus.

— Roxanne não é mais a número um. — murmurou para si.

— Preciso sumir com aquele corpo, pode haver ciúmes de ambas as partes. — disse em voz baixa para sua mente perturbada.

Desceu até o freezer, onde estava Roxanne. Abriu, de cara já viu a cabeça dela.

— Precisamos acabar com isso. Desculpe-me Roxanne, mas meu coração agora é de outra pessoa. Meg. — disse para a cabeça de Roxanne.

— Não fique brava, foi bom enquanto durou. Você foi uma boa moça. Uma delícia de pessoa... Hehehehe.

Fechou o freezer e pensou onde descartaria os restos mortais.

 “Vou jogá-la no rio”. — pensou.

Pegou um saco de estopa que tinha ali por perto, abriu o freezer, deu um beijo quente na boca de Roxanne e jogou-a para dentro. Depois começou a pegar os restos, encheu o saco.

Foi para fora, ligou o carro que estava na rua em frente, colocou-o dentro da garagem.

Abriu o porta malas e jogou o saco dentro Parou por uns segundos.

— Preciso colocar peso nisso.

Lembrou-se dos pesos de musculação que tinha por ali.

Fuçou em todos os cantos, enfim achou cinco pesos de dez quilos cada.

“Isso deve bastar”. — pensou.

Colocou dentro do saco, ligou o carro e partiu.

O rio ficava a cerca de quinze quilômetros de sua casa, nos subúrbios da cidade. Ligou o som do carro, estava tocando uma música clássica: Madrugada.

Seguiu cantarolando com seu jeito enrolado, apenas acompanhando a melodia com a boca. Tranquilo. Feliz.

Abriu a janela, estava frio. Parecia tudo lindo novamente quando passou pelas árvores secas do parque.

— Sem aposentadoria por enquanto, Deus. — disse ironicamente.

Chegou ao rio. Abriu o porta malas, pegou o saco. Estava pesado.

Se esbarrando na traseira do carro com o saco escorado em sua barriga, conseguiu colocar na guia da ponte. Respirou fundo e lançou.

Três segundos foram suficientes para que o saco atingisse a água e começasse a afundar lentamente. Robert esperou por alguns minutos até que o saco desaparecesse. Esperou mais alguns minutos, para ter certeza de que não ia boiar.

Tudo tranquilo. Afundou e não voltou mais.

Limpou as mãos, sacou uma pequena garrafa de uísque barato e deu um gole.

Olhou para o rio de novo. Nem sinal do saco.

— Adeus querida Roxanne. Foi bom enquanto durou. — disse Robert com um sorriso.

 

 

 

Dias sem respostas e uma nova vida.

Duas semanas se passaram e nem sinal de Meg. Não ligara como havia prometido.

Robert estava ansioso. Meg despertou a fome no homem. Ele estava faminto. Não parava de pensar na burrice que fez em desovar o corpo de Roxanne. Batera um arrependimento de ter largado sua preferida por uma estranha aventureira que se aproveitou dele.

Robert estava faminto. Precisava fazer algo urgente.

Lembrou-se do jovem rapaz. Faltavam dois dias para voltar ao trabalho.

 “Confortar-me-ei com o rapaz, será minha última presa” — pensou.

 Planejou matar o rapaz, assentiu. Afirmou para si mesmo que seria sua última presa, depois disso iria mudar de vida. Iria tentar se acertar com Deus.

Pensou que ainda daria tempo de conseguir perdão. Imaginou que sem caçar durante longo tempo, sua sede por carne humana cessaria. Conseguiria assim a sua redenção e a salvação de sua alma. Tinha em sua mente que só conseguiria o perdão se o arrependimento batesse de verdade, mas antes tinha que provar a carne, vísceras e órgãos do jovem rapaz. Não poderia deixar. Sua última presa tinha que ser aquela.

Premeditou o crime. Planejou matar o jovem e separar sua carne em porções. Cada uma etiquetada para durar um pouco mais enquanto tentava esquecer outras vítimas.

“Meg sumiu. Não deu notícias e provavelmente não dará”. . — pensou.

Aquela pirralha me fez voltar para esse mundo. Se encontrasse ela por aí, mataria e jogava no rio, nem comeria sua carne”. — pensou em tom raivoso.

 “Mas tudo tem motivo, se ela não tivesse aparecido, talvez não parasse de caçar tão já. Caçaria um pouco mais e talvez pudesse ser pego, condenado a morte pelos meus crimes, conhecido na mídia igual John Gacy”. — se conformando. — “Identifico-me com Gacy. Mesmo porte físico, mesmo carisma com a vizinhança”. — afirmou

Deitou-se para um cochilo. Alcançou suas pílulas de fluoxetina e tomou três. Pairou uma calmaria, seu corpo já estava acostumado com o remédio, o efeito era rápido. . Ficou em delírios, deitado, escutando a voz no rádio. Rolling Stones: Jumping Jack Flash.

Delirando, começou a sonhar com uma nova vida, chegando a sua casa com compras normais. Carne bovina, asinha de frango e um belo pernil de porco aos domingos. Conhecendo alguém de sua idade e vivendo juntos, sem se lembrar do passado de caça e sede por humanos. Encantava-se com as ”verdades” de seus delírios... Adormeceu lentamente. Acompanhando com a boca o ritmo da música em tom quase mudo, foi adormecendo. .

Tinha um motivo para sonhar. O tão esperado fim de toda aquela vida velha. O começo de uma vida nova, quase utópica, esperava por Robert.

 

CONTINUA...

 

 

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