Sentada numa cadeira de praia, ao lado da piscina de minha casa, estava pensando sobre tudo que se passara em minha vida até então. Mal sabia eu, que isso seria minhas últimas horas de vida, minhas ultimas reflexões nesse plano. Aguardava a chegada de um amigo fotografo, que traria umas fotos para eu ver como ficou. Estava cansada de vender a minha imagem de sex simbol., queria um papel de importância em algum filme. Talvez um personagem sério, sem ter que sensualizar ou mostrar minhas pernas.
Sempre fui impulsiva se tratando de relacionamentos, me envolvia com homens mais velhos, era a minha preferência. Porém, eles nunca me levavam a sério. Me descartavam e voltavam para suas esposas e filhos.
Não suportava mais a ideia de ser descartada por alguém, porem minha vida amorosa sempre foi turbulenta, maçante e desastrosa.
Lembro-me também das inúmeras vezes em que me auto mediquei, para chamar atenção de meus parceiros, com eles vindo a minha casa às pressas para cuidar de mim. Isso me confortava, mesmo que só por algum momento. Me fazia sentir especial, enfim, era o meu jeito de chamar a atenção, de que precisava, necessitava e de avisar o quanto eu precisava de ajuda.
Mas a maioria deles achavam que era apenas pra chamar atenção, sem causa. Porém, toda a tentativa de ter atenção, tem uma causa, mesmo que supérflua, mas tem.
Meu fotografo chega, me mostra algumas fotos. Odeio todas, estou quase sempre seminua, atraente... a imagem que eu mesma criei. O personagem do qual já estou farta.
Meu amigo fotografo foi embora, sem saber o que falar, entrei para dentro. Estava transtornada com tudo. Pensara no meu último relacionamento, um homem casado, no qual fui às pressas para Nova Yorque parabeniza-lo pelo seu aniversário. Lembro também do fiasco que foi eu cantando parabéns em rede nacional, completamente sob efeitos de analgésicos, barbitúricos.
Ele me dispensou nesse dia.
Sim, era descartável para o que a sociedade chamava de homem de família para a época.
Enfim, algum criado percebeu meu nervosismo, e chamou meu médico.
Logo ele chega, e me medica, fala comigo.
Pede para a governanta não ir embora essa noite, que fique comigo caso alguma coisa acontecer. Ele estava prevendo, na minha cabeça não tinha necessidade.
Entro para meu quarto, me despeço de minha governanta, aviso que não quero ser incomodada, pois estava medicada e logo dormiria.
Tomo umas pílulas, ante depressivas, mas outros remédios...
Me sinto leve, zonza. Já sentira e conhecera muito bem essa sensação, pois as vezes eu extrapolava nos barbitúricos. Nos últimos tempos estava bem íntimo deles.
Não consigo dormir, tomo mais alguns remédios. Ainda nada...
Entro em desespero, não era possível aquele tanto de remédio e eu ainda acordada. Penso em tomar mais alguns.
Me levanto, cambaleando e percebo que as coisas não vão bem.
Mas o sono não vem. Resolvo tomar mais algumas pílulas.
As tomo.
Por cerca das três da manhã, ou quinze minutos depois da última dose, não me sinto bem, sinto meu coração acelerar, numa tentativa natural de reverter as coisas que estão acontecendo dentro de mim.
Pegou o telefone, tento ligar para um amigo... não consigo discar...
Tento de novo. não consigo sequer segurar o aparelho...
Adormeço... dessa vez não tive tempo de pedir ajuda...
Os paramédicos chegam pela manhã, me colocam num saco e me levam para a autopsia...

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