ULTIMO SUSPIRO
Esperam nos para nos levar ao outro lado. Ansiosamente pego um pedaço de papel, começo a rabiscar.
Me viro, dentro de casa... está escuro. A madrugada está fria, a janela entreaberta deixa entrar um vento mórbido., leve..., mas mórbido.
Penso em que falar para meus amigos, penso em escrever um poema em forma de despedida, ou seria o contrário? Uma despedida em forma de poema.
O médico me receita barbitúricos para dormir, como quero dormir rápido... tomo três, talvez quatro...
Os coloco na boca, engulo de uma vez o liquido da taça... vinho.
Espero o efeito enquanto rabisco meu poema em forma de despedida.
Olho para a janela, o vento continua a entrar... mórbido...
Olho para os quadros de minha sala, as cores estão vibrantes...
Ouço minha casa conversar, estalar, rugir... ouço ela ruir...
Abocanho um pedaço de sanduiche, que está por ali... velho... não consigo engolir...
O vento mórbido... ainda entra pela pequena abertura...
Vou para a cama... fecho os olhos...
Nunca mais os abro... novamente...
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