Com toda a certeza, nosso próximo curta, e diretor, esbanja talento e autenticidade. Mesa pra Dois, de fato é um curta com uma alta produção. Pelo menos é o que aparenta ser, quando se assiste. Em meio há centenas de curtas metragens, seja eles caseiros ou com uma produção, o que garante a autenticidade da obra, é a criatividade. Vemos curtas simples, com uma criatividade imensa, vemos outras obras com uma produção, iluminação, maquiagem bem feitas sem um conteúdo que nos agrada. Certo que, para o amante do cinema, é valido ter todas essas técnicas embutidas na obra. DeBrito não regulou produção, não abriu mão de uma iluminação, maquiagem, e tudo o que tem direito no curta, e também, não abriu mão da criatividade.
Em poucos minutos ele nos dá um prato cheio de todos esses itens que citei acima.
Marcos é formado em cinema pela FAAP, mas confessa estar mais escritor do que diretor de filmes no momento. O carismático escritor, já tem um vasto currículo bibliográfico em seu acervo que, chegou a ser finalista do prêmio Jabuti*, com uma de suas obras literárias, Apocalipse Segundo Fausto (2020).
Tive o prazer de entrevistar Marcos em meu canal e papear sobre suas obras. Quando isso aconteceu, assisti à duas obras cinematográficas dele. Um longa-metragem de terror chamado, As Almas Que Dançam no Escuro, uma adaptação de seu livro Palavras Interrompidas. Um excelente filme com uma vibração mórbida que se leva durante toda a trama abordando conflitos familiares e o suicídio, e o curta Mesa Pra Dois, que fiquei confortavelmente preparado para um dialogo a altura com ele.
Mesa pra Dois, não poderia ficar de fora desse livro, pois tanto a obra quanto seu criador são essenciais para quaisquer amantes de cinema e curta metragens.
O Mesa pra Dois surgiu de uma oficina audiovisual que eu, o André de Campos Mello e o Fabio Servullo demos no SESC Santo Amaro em São Paulo. Juntamente com os alunos, filmamos o curta-metragem em apenas 4 horas. Para dar certo, nosso foco foi trabalhar uma narrativa curta com ênfase em maquiagem de efeito. Escrevi uma cena inspirada em Hannibal, mas com um toque mais sanguinário, e quis trazer um estranhamento ao colocar uma belíssima ária em italiano como trilha sonora para uma cena gore.
Marcos DeBrito.
A inspiração soa que quase uma releitura da cena de Hannibal, com um toque mais poético e sangrento.
Segue a resenha/critica que fiz sobre ele:
Imagens, uma música ``propicia``, atuações. O curta de DeBrito consegue alcançar um nível altíssimo de qualidade com esses três itens. Ao invés de diálogos, apenas momentos, olhares... e sangue, muito sangue. Uma mulher sob o domínio de um elegante canibal, que acaba por ser degustada literalmente pelo sedutor. O curta me remete especificamente à uma cena do filme Hannibal, onde o protagonista interpretado por Anthony Hopkins, destampa a parte superior do crânio e o come numa mesa de jantar. Suavemente fotografado, e o contraste da calmaria da trilha sonora, e as ações do protagonista, temos um horror de alta qualidade. Parabéns aos envolvidos e esperamos sempre que DeBrito nos presenteie cada vez mais com seus vídeos.
Rodrigo Leonardi.
Ficha Técnica:
Elenco: Danilo Ferraz, Patty Fang
Direção e roteiro: Marcos DeBrito
Fotografia e Montagem: André de Campos Mello
Maquiagem de Efeito: Fabio Servullo
Assistente de Direção: Rodolfo Bellarosa Jr.
2 Assistente de Direção: Renata Miyazaki, Silvia Araújo da Silva
Assistente de Produção: Will Deoliveira, Livia Baena Dos Santos
Assistente de Maquiagem: Jandiny Gouveia Vianna
Finalização de Áudio: Input Artesonora
Coordenação de Pós Produção de Áudio: Gabriel de Góes Gabriel, Mario Di Poi
Assistente de Produção de Áudio: Andressa Miyassato
Supervisão de Som: Rafael Benvenuti
Edição de Som: Danilo Chen
Mixagem: Caio Mattos
Música: Lascia Ch'io Pianga de George Frideric Handel
Apoio: SESC Santo Amaro
Produção: DeBrito Produções Cinematográficas e Morte Filmada
O Prêmio Jabuti é o mais tradicional prêmio literário do Brasil, concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Criado em 1959, foi idealizado por Edgard Cavalheiro quando presidia a CBL, com o interesse de premiar autores, editores, ilustradores, gráficos e livreiros que mais se destacassem a cada ano.


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