AS ÚLTIMAS HORAS- Do Palco Para a Calçada


 

 

Eu fui uma promessa em Hollywood. Considerado o grande talento da família, mal sabia que não ia dar continuidade a minha carreira bem sucedida de ator. Comecei ainda criança fazendo comerciais e pontas em filmes. Minha beleza me ajudou porem, depois de um tempo todos perceberam que meu talento era maior.

              Como tudo em Hollywood é uma farsa, também cai nessa. Também menti sobre minha vida pessoal. Cheguei a falar em uma entrevista que drogas faziam mal, participei de campanhas contra drogas. Mas pensando bem. Eu era um excelente ator.

              Na verdade, todos os meus irmãos eram. Meu irmão mais novo atualmente é um ator premiado. Não estive presente em forma material, mas espiritual sim. Vi tudo. Isso me anima, pois se estivesse vivo íamos ser dois irmãos premiados. Íamos ser imbatíveis.

              No auge da minha carreira, acabara de fazer um filme com Keanu Reeves no qual eu interpretava um garoto homossexual rico, que contratava os serviços de um loverboy.

              Não deu tempo de fazer mais nada. Aquela fatídica noite no Viper`s foi a última. Estava com meus amigos músicos, também famosos. Estava tocando com minha banda, um projeto com outros músicos profissionais. Era todo o glamour possível. Todos famosos, dos amigos rockstars ao dono da boate, que também era um ator conhecido.

              Todos ficaram chocados quando morri. Ainda mais de overdose. Como disse antes, até campanha contra as drogas eu fazia.

Menti mais de uma vez, passou a ser verdade. E assim que as coisas são.

Usei droga. Usei de novo... de novo... de novo.

Não me senti bem. Sai para fora da boate, me senti tonto... caí.

Agonizei na porta do estabelecimento. Meu irmão chegou... não lembro se ele já estava lá ou não. Ligou para o 911. Apavorado... pedindo ajuda.

Não deu tempo... morri na calcada... todo o glamour que tinha e acabei igual um cachorro vira lata... envenenado... morrendo as minguas.

Dias depois, o áudio de desespero do meu irmão ligando para a emergência vaza na mídia. Ela não tem/tinha respeito com ninguém.

Até no meu velório conseguiram tirar uma foto minha.... morto... dentro do caixão...

Senti a mídia de todas as formas... do glamour a insanidade....

 

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