AS ÚLTIMAS HORAS- Um Grande Talento Desperdiçado

 




Talvez o melhor conforto em ser uma pessoa famosa, possa ser a família. Único refúgio que se tem, que se possa confiar.

Não era o meu caso.

Como todos os capítulos anteriores, também estou aqui pensando, beirando os minutos para minha morte. Refletindo sobre tudo. Não queria que fosse acidental.

Mas foi.

Meu último show foi um fiasco total, levei fama de doida varrida. Muito associam meu visual com uma pessoa louca. Nunca fui louca. Na verdade, sempre fui muito bem centrada em tudo que queria, e queria apenas uma coisa. Cantar.

Me olhando agora, ergo as mãos agradecendo não estar mais namorando uma pessoa tóxica. Ele me fez muito mal. Se aproveitava do meu dinheiro para sustentar seu vício... me afundei no seu vício, pegando-o para mim... o vício.

Meu pai nunca me deu privacidade, mostrou ao mundo o meu particular, quando estava de férias. Mas um motivo para me acharem louca. Sei que depois que morri, ele aproveitou o gancho e se lançou como cantor, quase que, nem esperando o luto de minha morte passar.

Mas não conseguia ter raiva dele. De verdade... o amava mais do que minha própria mãe... homens em minha vida, sempre me atrapalhando.

Pensando bem, meu último namorado, aquele do relacionamento tóxico, também o amei mais que minha mãe... então o problema devia ser comigo.

Na semana que antecede minha morte, resolvi dar um basta. Parar com as bebidas, as baladas nos pubs londrinos aqui da região norte.

Conheci finalmente um homem que não precisava do meu dinheiro, que realmente estava disposto a ser meu, se dividir comigo.

Então resolvi tomar aquele ar necessário. Estava sóbria, sem álcool, drogas, porem triste. Os efeitos de uma vida desregrada me faziam uma mulher cansada, experiente as vezes. Me sentia com mais idade do que realmente tinha.

Lembro que horas antes, minha mãe veio me visitar, então foi quando minha carapuça caiu. Não consegui demonstrar a sobriedade que precisava, que pregava. Talvez não precisasse, porém, todos pensavam que eu estava andando nos trilhos.

Na verdade, estava, exceto na noite anterior, no qual não suportei a tristeza e me afundei no álcool. Meu segurança e amigo não gostou nada, mas era a patroa, então ele não tinha que gostar ou não. Apenas ficava quieto, as vezes com lágrimas escorrendo do canto dos olhos, vendo meu fim se aproximar tão rápido, tão gratuito, dessa forma.

Olhando tudo agora, em cima do muro, como se não fosse comigo, achei um desperdício minha morte. Me amava demais para acabar assim. Nunca ligava para a imprensa falar mal de minha aparência. De verdade... nunca me importei.

Minha morte não teve grandes fatos que antecederam. Apenas enchi a cara de novo... e me afoguei no próprio vomito. Não acostumada a grandes doses, pelo fato de estar devagar... na minha última noite, até conversei com minha melhor amiga, combinando sair semana próxima.

Mas não deu... morri também, igual todos os outros dos capítulos anteriores, e acredito, todos os outros dos capítulos abaixo.

Fui a última, até então a entrar no clube dos 27.

 

 

 

 

 

 

 

 


https://www.youtube.com/watch?v=WPJtK3agsG

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