Eu fui a primeira mulher branca a fazer sucesso com uma voz.
Angustiada com minha vida, durante toda a vida amava cantar. Nunca liguei para os estereótipos da época, em como uma mulher devia/deve se portar. Apenas queria cantar, pra me livrar de todo a angustia que carregava desde a minha adolescência. Ela não foi interessante.
Fui eleita o homem mais feio da minha escola. Me abalou, era muito nova. Com certa idade, zarpei para outros rumos para tentar a carreira de musico.
Consegui fácil, pois como disse eu nasci para isso. Nasci para ser uma estrela do blues, rock e qualquer gênero que eu quisesse me meter.
Mas era solitária. Às vezes me arrependo de ter perdido meu único amor. Ele me controlava com as drogas, álcool e todo o resto.
Me aproveitei de mais, escutava, sabia que ele estava certo. Quando ele não estava eu usava, escondido.
Lógico que isso veio à tona... ele me deixou. Prometeu não voltar mais.
Prometeu... e não voltou.
Nesse período resolvi dar um ``basta``.
Fiquei um tempo sóbria. Minhas últimas horas foi comum, exceto pelo fato que morri. Sem essa de teorias das conspirações. Ninguém mandou me matar ou algo assim.
Tinha arrumado uma namorada. Tinha muitas na verdade. Homens e mulheres, mas nunca me sentia com alguém. Vida conturbada, cheia de pessoas em volta, mas tudo vazio. Parecia que não ia sair desse mundo, dessa atmosfera triste e angustiante.
E não sai.
Única forma de não ter esses sentimentos é ficando alta, fora de mim. Precisando de algo que me elevasse espiritualmente.
Sempre foi tudo cinza, era famosa, mas nunca feliz.
Único jeito de colorir era ficando alta.
Excessos hoje, excessos amanhã e quem sabe, depois de amanhã também. Nunca sabia quando iria acordar. Até que um belo dia, não acordei.
Lembro que assisti pela tevê meu funeral. Lembro das notícias, lembro de todo o meu post mortem. Lembro até hoje... de tudo.
Quando morri, me senti saudável, sem vícios, sem angustia, dor ou qualquer forma de sentimento que me deixasse para baixo.
Quando eu morri, a música perdeu uma grande artista, isso de fato, tenho convicção. Quando morri, parecia que nunca tivesse vivido. Minha estadia nesse plano foi curta, mas meteórico, avassalador. Devorei todos os palcos em que subi. Preguei o amor em todas as canções, amei todos em minha volta como se fosse meu último dia.
Era necessário eu morrer, para assim eu virar o que virei. Uma das vozes mais conhecida e respeitada dentro do blues e do rock.
Foi necessário eu partir, assim como meu irmão Jimi, e depois de mim, aquele chato do Jim Morrison.
Morri e virei uma estrela maior do que eu já era.

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