AS ÚLTIMAS HORAS- Prometi e Cumpri (Capítulo Final)

 


Fiquei para o ultimo capitulo.

Talvez porque sou o menos interessante nessa mórbida lista de pessoas que foram embora desse plano. Porém, dizem que os últimos serão os primeiros ou coisa assim.

Não sei.

Talvez fui o último porque posso ser mais interessante que outros. Acho que não. Por ora só acho que, tentei, me esforcei e publiquei tantas vezes minha morte, para no fim morrer acidentalmente.

Mas uma coisa é certa. Eu disse que ia morrer naquela noite.

Pessoas próximas a mim, sabiam que eu ia morrer logo também, mas como tudo nessa vida é uma surpresa tremenda, nunca imagina o quão logo estava.

Nasci com o nome de Jesus. Acho que é uma praga, pois fui exatamente ao contrário do que se diz dele.

Não me lembro bem quando foi que perdi as estribeiras, talvez gostasse mesmo de ser escatológico. Talvez amasse sair no soco com meus fãs e talvez, adorasse não conseguir terminar sequer um show, devido as autoridades.

Só sei que agora, olhando daqui, em cima do muro, percebo que o único que perdeu... foi apenas eu.

Usei drogas de monte, defequei no palco, toquei pelado e cuspi na cara das bandas bonitinhas da época.

Minhas últimas horas foram atordoantes. Estava pelas ruas com minha galera, causando tumultos no centro da cidade, seminu.

Zanzando aqui e acolá.

Imundo como um rato dentro de um esgoto, minha cabeça não parava de sentir ódio. Do que? Não sei...

Apenas ódio, ódio e mais ódio.

O impacto que causei em toda minha carreira ‘só podia mesmo terminar em morte. Sabia que se morresse, ia ser eternizado pelos meus fãs.

Fui.

Prometi que ia morrer, prometi que ia me matar, suicídio. Enforcar, atirar na minha cabeça ou algo assim.

Mas morri acidentalmente usando drogas...

Prometi... e cumpri.

Não do jeito que prometi, mas cumpri.

Meu velório foi um caos, foi filmado. Fui enterrado sujo, de cueca e com todos os meus discos dentro do caixão. Meu irmão colocou um walkman em meus ouvidos e ligou a minha música no último volume.

Foi tudo registrado por uma câmera. Desci para os confins do inferno, ouvindo minha própria arte... e com todas elas comigo.

 

 

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