NOSSO AMOR NAO E DIGNO DE HOMENS- Cap- 3 Um Segundo Comeco

 



Os anos se passavam e as coisas cada vez ficava mais difíceis. Minha mãe se casou outra vez, com um senhor chamado Pietrov. Um homem de poucas terras, mas bem lucrativas com a pastagem de carneiros, comercializando sua lã e vendendo sua carne. Minha irmã Elizabeth se casou com um membro do exército e fora morar na capital. Eu ainda morava com minha mãe aos dezoito anos. Pietrov era bom para minha mãe e na medida do possível, compreensivo comigo. Eu a ajudava pastorando as ovelhas e ele me dava um bom dinheiro. Ainda tinha comigo esse medo terrível da morte, Pietrov sabia disso. Ele me falava que tinha que arrumar um canto para morar, pois já estava na hora. Ele teve mais dois filhos com minha mãe, Samuel e Pietro. Nomes dados pelo fato de ser um homem religioso.

Trabalhei dois invernos inteiros, sem pausa para folga, juntei um bom dinheiro para poder viajar para a capital, visitar minha irmã. Pietrov me motivou a fazer isso, mas ele queria realmente que não voltasse.

Resolvi fazer as malas e ir a visita de Elizabeth, ela me esperava e aguardava ansiosa a minha chegada. Seu marido, Crovic, não passava muito tempo em casa devido ao seu oficio, então ela sugeriu a minha visita, pois deveria estar se sentindo sozinha. Eles não tinham filhos.

Nessa época eu não tinha alguma cultura e nem o apreço por ela, sequer conhecia algum livro, alguma composição e muito menos pinturas. Não se via pinturas nas casas dos pobres, nos subúrbios e nas tabernas que as vielas abrigavam.

Consigo alugar uma charrete para me levar até a capital, cerca de 6 horas de viagem. Pietrov conseguiu que o charreteiro fizesse um bom preço para mim, ele o conhecia e devia favores a ele.

Hoje em dia me lembro daquela viagem, gostaria de faze-la outra vez, mas com os olhos que tenho agora. Passar por aquelas paisagens, pequenos carreadores cobertos de gramas, sinalizando apenas o rastro dos pneus das carruagens que ali trafegavam. Um bom pedaço desses carreadores virou estradas com pedras consideravelmente grandes e irregulares. As colinas com os picos brancos das neves e a neblina em certa altitude foram as únicas coisas que me atraíram na época. Olhos joviais e sem experiencias não conseguem entender essas paisagens.

De certo que também estava mais ansioso para chegar à capital, ver com meus olhos, tornando-os experientes com o passar dos tempos tudo que Elizabeth escrevia em suas cartas para mamãe e para mim. Mas poderia ter aproveitado mais a viagem, ter saboreado as pausas para o descanso dos cavalos, ter tomado o chá oferecido pelo homem que conduzia a charrete, ter cheirado antes de beber, ter tentado captar alguma essência e ter aproveitado tudo o que estava ao meu redor.

Olhos joviais.

Não se pode mudar isso. Certa vez ouvi falar que com a idade se ganha experiencia. Isso me soou tão triste pois, nos momentos certos, sempre nos falta algo, uma hora é a experiencia, outra hora e a saúde e por fim outra hora a falta de dinheiro para realiza-la.

Lembro de avistar a cidade na última colina em que cruzamos, depois de um pequeno rio com um gramado em volta, com belas margaridas.

Dava para ver singularmente as fumaças saindo de casas.... milhares delas. Avistava alguns palácios e palacetes, pela distância eram minúsculos, depois vi o tamanho das edificações e assustadoramente fiquei extasiado.

Alguns minutos chego na capital. Estava nublado. Percebi uma magia naquele instante. Associei o clima fechado com algo bom, coisa que futuramente ia amar, mesmo sem ter opção de não querer.

Paramos em um ponto, numa praça enorme com alguns monumentos. Aquela praça era de todo um glamour. Foi a primeira vez que assimilava alguma forma de arte positivamente em meu cérebro.

Desci da carruagem, agradeci ao homem. Fiquei por ali cerca de uns vinte minutos, sem saber para onde ir. Elizabeth estava atrasada, não estava por ali. Não senti pânico, apenas um deslumbramento que nunca sentira. Observando cada pedaço daquele local. Tudo era novo para mim, um garoto pobre criado em vielas nos subúrbios de uma pequena cidade pobre. Mas a capital era enorme, só aquela praça dava três vezes o tamanho do subúrbio que vivia. Forçava as vistas para ver o fim e não conseguia.

Tudo grande, esplendoroso, bonito, assustador e espetacular.

Avisto Elizabeth vindo em minha direção, ela de longe me viu, com um sorriso pleno no rosto e com um longo vestido, sombrinha e um belo chapéu rosa.

Abraço minha irmã que há tempos não via. Ela chora de alegria. Fomos caminhando até sua casa, conversando, lembrando de nossas infâncias.

 

 

 

 

 

 



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