NOSSO AMOR NÃO É DIGNO DE HOMENS- Cap.2. Primeiros anos, Primeiro contato com a morte.

 

 

 


 

 

Eu nasci no leste da Aporue, algum lugar próximo ao continente Onamoto. No começo de minha vida, não era o que sou hoje. Era filho de um alfaiate pobre e de uma professora de piano. Morávamos em uma paupérrima casa nos subúrbios de uma pequena cidade. Não me lembro de ter passado fome, mas me lembro das dificuldades que se tinha naquela época.

1808, ano em que nasci. Bram Stoker ainda não tinha lançado seu romance... Dracula. As pessoas ainda não tinham criados seus mitos sobre as histórias de vampiros. Sobre Bram Stoker, falarei desse homem quando chegar a hora. Agora o que nos interessa saber é que, a vida era muito diferente dos dias de hoje. Morava em uma casa de tijolos e pedras irregulares que nos dias de hoje eles acham interessante os moldes arquitetônicos que fora construído. Naquela época era o que se podia fazer com o que tinha. Tinha mais dois irmãos. Eu era o mais novo. Sergey, meu irmão mais velho e Elizabeth, minha irmã do meio. Eu era quatro anos mais novo que minha irmã, e seis anos de meu irmão. Sergey começou a trabalhar aos nove anos em uma marcenaria cujo o filho do dono era seu amigo. Rustov. Eles eram inseparáveis. Minha irmã seguiu o oficio de minha mãe, aprendeu com ela a tocar piano, se dividia entre as tarefas de casa e as aulas particulares lecionadas por mamãe.

Eu ainda muito novo, não trabalhava. Apenas brincava com espadas de madeira feitas pelo meu tio com os amigos do vilarejo ao redor da cidade.

Meu pai confeccionava roupas para a elite local que, quase sempre não pagava pelas encomendas, deixando-o assim sempre endividado.

              Lembrando de minha infância, pude perceber que era difícil, mas era divertida, éramos uma família unida, mas como sou um vampiro, sempre me desapego desse sentimento. E algo que está entre nós, não conseguimos sentir uma alegria divina. Únicos sentimentos que temos é a da paixão e da fome.

Alguns anos depois...              

Sergey já era um homem com apenas dezessete anos. Pensava em se casar e ter uma família, assim como meu pai queria. Não tínhamos dinheiro para formar ele em doutor, então ele seguiu no oficio de marceneiro.

É engraçado como o destino sempre lhe prega pecas, como as coisas sempre direcionam para o que você vai ser ou não. Meu primeiro contato com a morte foi quando tinha doze anos de idade.

Estava brincando no vilarejo, com minha espada de madeira quando vi um tumulto se aglomerando nas vielas próximas. Uma aglomeração de pessoas indo para a mesma direção. Curiosamente comecei a me direcionar para a multidão, chegando assim na marcenaria que Sergey trabalhava. Chegando lá, ouvia gritos de desespero. Pequenino que era, passei entre pessoas e mais pessoas que se aglomeravam ali, entre esbarrões. Quando cheguei a porta da marcenaria, meu irmão estava quase que partido ao meio, devido a um serrote.

O pai de seu amigo, o antigo dono, bebeu demais e acabou discutindo com Sergey que, ao ignorá-lo, alegando a embriagues do senhor, deu de ombros e voltou para o trabalho. O velho bêbado o atacou com um tacape que o desacordou, depois tentou serrar ele ao meio, só não conseguiu porque seu filho o impediu a tempo. Sergey acordou do desmaio e se viu ensanguentado e quase em duas partes. Aos gritos, implorava para viver. Ele morreu agonizando naquela tarde fria.

Eu senti tanta tristeza em minha vida, talvez fora a primeira vez que sentira triste de verdade. A primeira vez que via alguém morto/morrendo também. E era meu irmão mais velho. A partir desse dia, a morte passou a ser frequente em minha vida. Dias depois, o velho que matara meu irmão, foi decapitado em praça pública. Eu vi isso acontecer. Dois meses depois encontrei meu pai enforcado em uma arvore, depois de alguns dias sumido. Estranhava como as pessoas não se importavam com a morte naquela época. Hoje em dia, posso dizer que a morte era mais comum quando eu era criança, mas nunca achei comum. Nunca me conformava com essa ordem.

Confesso que senti tristeza, depois senti um ódio muito grande pelo fato de meu irmão ter morrido, da forma que morreu. Mas não senti triste quando o velho foi decapitado, e muito menos quando achei meu pai, enforcado.

Eu me sentia inconformado pelas coisas serem dessa forma. A partir daí, comecei a ficar com medo da morte, com medo de morrer.

Agora eu era o home da família, com duas mulheres em casa, com apenas doze anos de idade.

Não sabia como as coisas iam ficar, pois o medo da morte que criei em minha cabeça, me tomava. Ao mesmo tempo, me acuava e ficava sempre solitário. CONTINUA...

 

 

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