NOSSO AMOR NÃO É DIGNO DE HOMENS- Cap. 4- Chegando à Capital

 



 

 

Chegando à casa de Elizabeth, seu marido Crovic, não estava por lá.

Ela me disse que fazia meses que não voltara para casa, que estava suspeitando dele estar querendo abandoná-la.

- Não quis dizer isso nas cartas, mas agora que está aqui te digo. Acho que ele não volta mais. - disse Elizabeth

- Como você chegou a tal conclusão?

- Há tempos ele não me escreve. Antes sempre escrevia. - disse com um tom triste, algo que nunca tinha visto.

As cartas que Elizabeth mandava para mamãe e para mim, soavam cheias de vida, com uma escrita doce, descrevendo sua vida como um romance inigualável.

- Quero que more comigo, não quero que volte. – disse ela.

- Mesmo que não morasse aqui com você, não tinha a intenção de voltar. Sinto que Pietrov não me quer por lá. - disse eu com a cabeça abaixada.

- Não fale bobagem, ele apenas quer que você vire um homem independente. - Resmungou Elizabeth.

- Pode ser, mas nos últimos tempos esse assunto estava virando muito comum entre mim e ele. Suspeito que mamãe não saiba disso. - Respondi.

- Depois da morte de papai, mamãe se tornou fria. Apenas casou com Rustov para ter condições de nos criar. - Elizabeth. – Ela sabia que ele sempre a amou. – Concluiu.

Fiquei horas conversando com minha irmã em sua casa. Uma casa modesta para a capital porem, muito luxuosa para os padrões das vielas de que saímos.

Falamos sobre seu marido, Pietrov. Me dissera que no começo era doce, mas quando entrou para o exército seu coração endureceu, as vezes era violento. Começou a beber demais. A tratava muito mal quando bebia, depois vinha com desculpas quando sóbrio.

- Fiquei com medo de falar para vocês. Fiquei com medo de ficar sozinha aqui, dele me abandonar. Ele me traiu com uma mulher bem mais jovem sabia?

- Então a vida na capital não vai lá essas coisas? - indaguei.

- No começo era tudo grande e magico, agora está começando a chegar as rotinas, tudo está ficando triste. Por incrível que pareça, tenho saudades das vielas imundas. - disse gargalhando.

Pensei que estivera na fase de tudo ser magico. Mesmo com pouca idade e com olhos joviais, percebi que uma hora tudo aquilo ia virar rotina.

Aleatoriamente, com meus pensamentos focado no que Elizabeth me disse sobre a magia da capital e na rotina que veio à tona, deixei escapar em voz alta um pensamento:

- Felizes são os aventureiros e viajantes. Sempre algo novo, lugares novos.

Elizabeth sorriu.

 

 

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